quarta-feira, 15 de maio de 2019

13/05 - Cap 17, 18, 19, 20 Uwe Flick

FLICK, Uwe. Introdução à pesquisa qualitativa. 3.ed. Porto Alegre: Armed, 2009. (capítulos 17, 18, 19 e 20)


Nesses capitulos, Flick trata de alguns métodos como observação, internet e análise de documentos. Para todos esses, o autor insiste na importância da ética e da triangulação com outros métodos.


Um outro assunto discutido nessa aula também, são as mudanças provacadas pela tecnologia e o uso dela, com as plataformas virtuais e big data. Esses dados são "observação não participante". Até onde vai a ética?

Capitulo 17


Observação Não participante
Observação Participante
Etnografia
Características
Secreta x pública
Sistemática x não sist.
Naturais x artificiais
Auto x outros
Ainda pode ser: participante completo, participante-observador, observador-participante e observador completo.
Interesse na interação humana
Investigação do cotidiano
Teoria que enfatiza a integração
Processo de investigação ilimitada
Abordagem e estudo de caso
Desempenho do participante
Emprego da técnica
Observação e a participação misturam-se a outros procedimentos
Coleta de dados subordinada à pesquisa e prática
Metodologia restrita ao modo
Fases
Seleção ambiente, definição do que documentar, treinamento, observação descritiva, observação focal, observação seletiva, fim.
Observação descritiva
Observação focalizada
Observação seletiva

Problemas
Definição do papel do observador
Espaço, ator, atividade, objeto, ato, evento, tempo,  objetivo, sentimentos, tornar-se um nativo
Necessidades da flexibilidade metodologica
Contribuição
Pode ser triangulada com outras técnicas; restrição de movimentação para as mulheres

Aproxima-se da pesquisa qualitativa
Transformação dapesquisa qualitativa pós moderna e redescoberta
Ajuste
Teste de conceitos teóricos para determinados fenômenos com base em sua ocorrência e distribuição
Interacionismo simbólico
Parte da postura teórica da descrição de realidades sociais visando questões empíricas e teoricas
Limitações
Abordagem ao campo a partir de uma perspectiva externa e falta de interação com o campo
Aplicar em processos biográfico
Metodos de coleta são considerados secundários
O capitulo ainda apresenta 5 estudos de caso e alguns exercícios ao final.

Capitulo 18
Esse capitulo apresenta uma revisão sobre o trabalho com dados visuais, incluindo fotografia, filmes e filmagens que segundo o autor tem crescido o uso.

- as fotografias como instrumento e objeto de pesquisa
Baseada na sociologia visual, utiliza-se de fotografia e filme sendo a câmera o instrumento de uso. Pode se apresentar de 4 maneiras: 1) o pesquisador mostra fotos e questiona o pesquisado, 2) o pesquisado pode ser “modelo” na foto, 3) pesquisador fê fotografias do pesquisado, 4) observam alguém fotografando e o material fotografado.
Considerações metodológicas: a escolha do o que e como é uma marca a ser pesquisada, as fotos não se perdem, as fotos são sempre verdades?, abordagem simbólica, participante e fotógrafo precisam encontrar um papel no campo.
As fotos podem ser utilizadas em entrevistas. Um exemplo disso é pedir ao sujeito fotos que mais gosta de um determinado lugar. Esse assunto e as fotos conduzem a entrevista.
Alguns problemas que podem surgir: a definição do papel de sujeito-pesquisador, influencia ou manipulação das fotos ou até mesmo censura é citada.
O contexto teórico de utilização são os modelos estruturalistas. Quanto as limitações, uma vez que os dados visuais podem ser considerados como textos sobre alguém ou lugar, os métodos de interpretação podem ser limitantes.

- a análise de filmes como instrumento de pesquisa
Baseia-se na utilização de televisão e  filmes e permite varias formas de trabalho, como a interpretação das verdades que o filme produz.
Possui 4 etapas: 1) assistir e sentir, 2) Baseado na questão da pesquisa, anotar cenas-chave, 3) produzir microanálise baseada  nos fragmentos e 4) busca por padrões.
Os problemas que podem surgir relacionam-se com a escolha do filme certo e sua interpretação. Já a contribuição metodológica ultrapassa o limite ao ser usado de diversas maneiras e permite várias abordagens para pesquisa como por exemplo realidade do filme em relação à um cenário especifico.
Uma das limitações do método é a multiplicidade de interpretação a partir de uma realidade “construída” no filme e que faz com que seja necessário utilizar com outras técnicas de pesquisa. Os problemas desse método estão em determinar o foco da filmagem, como a equipe não influenciar o objeto e a ética de utilizar filmagens sem o conhecimento da pessoa (câmeras de segurança, por exemplo)

- o uso de vídeo na pesquisa qualitativa
Na pesquisa qualitativa (que pode ser parte de uma pesquisa etnográfica, por exemplo) a filmagem  é também utilizada como documentação de experiências, interação em uma entrevista, registro de situações naturais e experimentais, diários em vídeo e vídeos editados, comparativo entre filmes. Problemas e limitações já foram citadas no uso de filmes e são similares.
O texto apresenta ainda alguns estudos de caso e dois exercícios.

Capitulo 19
Continuamente produzimos muitos documentos institucionais e pessoais, incluindo os biográficos. As informações contidas nesses documentos podem ser utilizadas para pesquisa e é essa a abordagem do capitulo.
Após a definição de documentos, o autor ainda considera as possibilidades do objeto apresentar os documentos ou pedir o registro de documentos por alguém (diário, por exemplo). O acesso ao documento ou sua autoria  e finalidade (e a combinação dessas classes)  classificam os documentos em 12 tipos.
A utilização de documentos não se restringe a analise do texto contido nele, mas sim analisa-lo como um meio de comunicação.
Para selecionar os documentos usa-se quatro quesitos: 1) autenticidade, 2) credibilidade, 3) representatividade e 4) significação.
O passo principal nesse tipo de pesquisa é a construção do corpus (amostragem e seleção), sendo a intertextualidade um problema (associação com outros documentos).
De maneira prática, deve-se entender que documentos podem apresentar realidades diferentes da opinião subjetiva, uma vez que esses documentos são realidades especificas para objetos específicos.
Como em outras pesquisas um dos problemas encontrados pode ser a restrição e seleção dos documentos, além do pesquisador sempre dever se questionar sobre quem produziu os documentos e com que finalidade foram produzidos. Também tem como limitação a necessidade de uma abordagem especifica. Metodologicamente, a vantagem de pesquisa com documentos é ser um método não intrusivo. E apesar de poder ser utilizado em vários tipos de pesquisa, tem na etnometodologia seu foco.

Capitulo 20
Esse capítulo faz um revisão sobre a internet e sua uso em pesquisas qualitativas (mostrando que não é possível escapar à evolução tecnológica),  apresentando ainda algumas formas especificas de trabalho. Apesar de permitir tanto um bom uso quanto mau, é necessário inicialmente desmitificar o uso indesejado mas também entendendo que nem todos tem ou querem o acesso à ela.
Quanto a ser objeto de pesquisa, a internet apesar de já há um tempo m uso, ainda permite vários de estudos e de “quem” e “como” a utiliza. Os métodos podem ser diversos, porém normalmente a internet é o objeto de estudo e os métodos nesse caso são tradicionais.
Quanto à pesquisa qualitativa online, algumas considerações prévias devem ser feitas: deve ter um domínio e experiência sobre a tecnologia, deve ter facilidade de acesso e gostar de trabalhar online, tudo isso sem desprezar o método de pesquisa qualitativa escolhido.
Segundo o autor, na época do texto (2009) a maior parte de uso de internet ainda era sobre levantamento quantitativo online, apesar da pesquisa qualitativa se mostrar em expansão com entrevistas, grupos focais, observação participante e estudos de interação.
A pesquisa online, indiferente do tipo é um desafio, apesar de entender que dificilmente se foge totalmente dela. Existe sempre o problema da autenticação devido ao anonimato que deve também ser considerado e com certeza a parte ética também.

- entrevistas online
Nas entrevistas online a motivação pode ser a facilidade de deslocamento, a facilidade de divisão de tempo, facilidade de armazenamento e transcrição, entendendo que ela pode ser síncrona (tempo real) ou não (respostas por email). Uma das diferenças é a sugestão de interatividade, onde encontrar as pessoas para entrevistas (conhecidos ou vindos de salas de bate papo) e já aproveitar para pegar alguns dados sobre a pessoa. Um assunto que se discute é sobre a confiabilidade de pessoas que não se está vendo (atualmente isso não aconteceria devido a facilidade das câmeras) e validação de documentos. Algumas restrições colocadas por Mann e Stewart apud Flick (2009) : 1) qual o objetivo? 2) qual estrutura temporal? 3) quais as limitações? 4) quais as características do entrevistador e do entrevistado? Qual contexto externo da cultura / comunidade de pesquisa?
Se por um lado a entrevista online garante um anonimato, e facilita quanto ao deslocamento, para o pesquisador dificulta quanto à contextualização. Se ela for feita da forma escrita, também facilita quanto a transcrição eu seria necessária. A amostragem é intencional e uma das limitações é a falta de espontaneidade e também a dificuldade técnica com a internet.

- grupos focais
Os grupos focais funcionam de maneira similar, necessitando todos online simultaneamente (verificar possibilidades de software). O autor discute algumas tecnologias de conferencia (ultrapassadas, ao meu ver) e alguns quesitos como da neutralidade, naturalidade e tolerância. O que pode ser um facilitar (a distância virtual) pode ser também uma dificuldade nos momentos de intervenção.
O anonimato ao mesmo tempo que ajuda os entrevistados dificulta a contextualização. A facilidade de documentação é uma vantagem. Também utiliza amostragem intencional e são analisados a partir de processos de codificação e categorização. As limitações são as conexões de internet e às pessoas que sabem utilizar-se da tecnologia.

- etnografia virtual
A internet vai além de uma ferramenta para entrevista e grupos focais. Ela é um lugar com um modo de ser próprio, devendo ser estudada como um ambiente social com pessoas com identidades específicas. A diferença é que a etnografia virtual discute um ambiente técnico em vez de um ambiente natural. A presença do pesquisador em campo para fazer uma pesquisa etnográfica natural, deve se repetir no mundo virtual, com a vantagem da comunicação poder ser deslocada espacialmente e temporalmente. O foco normalmente são todas as formas de dados produzidas que devem ser organizados para então serem discutidos. O autor sugere a utilização de um software especifico para filmar a tela do computador (Lotus Screen Cam – ainda existe mas existem outros mais populares atualmente como o Cantasia).

- analise de documentos
A net possui muitos tipos de documentos e na www isso é ainda mais complexo com a intertextualidade, as conexões para outros textos, a impermanência, a infinitude  e a não linearidade dos textos. As paginas da web possuem uma hierarquia, mas nenhum padrão de organização e nenhuma restrição de mídias (ela é multimídia). Assim nem sempre é fácil determinar por onde começar ou qual a amostragem a ser utilizada. Conhecer bem uma ferramenta de busca se torna fundamental.
Um dos problemas é a frequência com que as paginas são atualizadas e/ou desaparecem. O método se ajusta facilmente às técnicas de pesquisa qualitativa desde que previamente determinadas as paginas e as amostragens necessárias. Deve-se garantir uma cópia das paginas de maneira off-line. Recomenda-se uma triangulação com outros métodos principalmente devido às barreiras técnicas e devido a complicação e anonimato.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

06/05 - Pesquisa Colaborativa

IBIAPINA, Ivana Maria Lopes de Melo. Pesquisa colaborativa: investigação, formação e produção de conhecimento. Brasília: Líber Livro Editora, 2005. Série Pesquisa; vol. 17.

"Sujeitos vivem em um contínuo processo de constituição, um processo interativo que os tornam capaz de recriar sua compreensão de si mesmos e do mundo." Vigotski (2000)

A pesquisa colaborativa na visão da autora é feita  a partir de grupos de pessoas e foca a formação de professores que ao final da pesquisa devem ter suas práticas melhoradas ... ou seja, professores e pesquisadores compartilham conhecimento e produzem saberes!!!! A idéia da cooperação (opera junto) é diferente de colaboração (trabalhar junto) - considerqando a etmologia da palavra co=junto. Nesse tipo de pesquisa colaborativa deve acontecer a produção de saberes e a formação continuada.

Esse tipo de pesquisa vem da idéia de pesquisa-ação emancipatória e só será validada realmente como uma pesquisa colaborativo se ao final dela houver uma resolução de problemas ou melhoria de prática. Na pesquisa - ação, a teoria se associa à prática, para ao mesmo tempo que constrói novas teorias, poder construir novas práticas.

A reflexão dever permear todas as etapas da pesquisa, mas três condições devem ser supridas para a pesquisa ser considerada como colaborativa (pesquisa ação emancipatória): 1) colaboração, 2) circulo-reflexivo e 3) co-produção entre pesquisadores e professores.

"O exercício reflexivo realizado com base  nas perguntas sugeridas transcende os conhecimentos prévios internalizados pelos professores, gerando novas necessidades, novos questionamentos e novass aprendizagens." Ibiapina (2005)

Parte 3: Ferramentas, recursos e procedimentos metodológicos utilizados na produção e difusão da pesquisa colaborativa


As pesquisas que se utilizam de processos colaborativos podem: 1) auxiliar o pensamento teórico, 2) fortalecer a ação, 3) abrir caminho para o desenvolvimento profissional e pessoal, sempre considerando que o pensamento e a linguagem estão inter-relacionados e favorecem os ciclos sucessivos de reflexão critica entendendo que pratica e teoria não são opostos.

A autora apresenta uma revisão bibliográfica justificando o processo reflexivo como formativo. Algumas considerações encontradas: é acadêmico, eficiente socialmente, desenvolvimentista, permite reconstrução social, possui um alto nível de realidade técnica, além de relacionar o conhecimento cientifico cultural (o que ensina)  com o psicopedagógico (como ensina). Pode se apresentar em dois eixos : tradicional paradigma cientifico) e pratico reflexivo (usa a pratica como reflexão). 

Para operacionalizar a reflexividade no contexto de uma pesquisa colaborativa, é necessário haver uma sistematização do processo reflexivo a partir de ações formativas:
1 – descrição (o que fiz)
2 – informação (o que significa)
3 – confronto (qual a função)
4 – reconstrução (a partir dos três itens anteriores, gerada a partir da compreensão)

A autora passa a apresentar os procedimentos mediadores na construção de uma pesquisa colaborativa.

- diálogos face a face
Como sugestão, a autora apresenta as entrevistas individuais ou coletivas, constituindo importante experiência tanto para a pesquisadora quanto para os participantes. Elas ajudam a clarificar aspectos, determinar problemas, compreender ações, uma vez que os participantes verbalizam os sentidos construídos. Indiferente do tipo de entrevista, ela deve sempre ser reflexiva.

- videoformação no conceito da pesquisa colaborativa
A sugestão é por filmar aulas que posteriormente devem ser revistas e refletidas podendo: descrever, informar, confrontar e reconstruir os conceitos interpretados. A sessão de filmagem é feita: filmagem, discussão, remontagem dos pontos principais e uso coletivo para relfexão interpsicológica e intrapsicológica. Algumas sugestões de perguntas são apresentadas para cada etapa da pesquisa (descrição, informação, confronto e reconstrução).

- fios de histórias: narrativa (auto)biográfica
As várias denominações existentes para esse tipo de pesquisa, dependem especificamente do agir do pesquisador. Na história de vida, por exemplo, o pesquisador é quem dirige o diálogo.
Apesar das variações de cada pesquisador sobre o tema, todos concordam que é por meio das narrativas de histórias de vida que os professores revelam elementos que compõem o pensar e o agir profissional. Isso faz com que não seja possível separar o profissional da pessoa. Sendo inclusive isso entendido como uma das vantagens desse tipo de método.

- a observação colaborativa
Três fases: 1) observação de aulas; 2) momento reflexivo; 3) construção de uma reflexão critica com princípios formativos. Apesar de parecer simples, deve usar metodologias adequadas, com perguntas pré organizadas. O observador também deve tomar vários cuidados como local, organização, explicação, confiança, metodologia e outros.

- sessões reflexivas
Acontecem normalmente após a observação ou após a entrevista. Vários estudos citados pela autora consideram as sessões como dispositivo que auxilia o professor a analisar a relação entre seus objetivos e suas práticas. Algumas etapas: 1)  descrição da prática; 2) situar o seu processo dentro dos conceitos de ensino-aprendizagem (com ajuda de etextos didáticos que sustentem uma reflexão critica); 3) perceber, com a ajuda do pesquisador, se os objetivos foram alcançados (análise).Assim, o objetivo de reconstruir as práticas pode ser efetivado.

Problemas para escrever .... quem não tem?
Considera-se que as práticas de escrita tem presença  insignificante no processo de escolarização dos indivíduos, e isso acontece por vários motivos: resistência, má experiência, falta de intimidade, falta de incentivo, e outros. Essas dificuldades, no momento da pesquisa tendenciam o pesquisador a cópia e reprodução. Assim,nos próximos tópicos, a autora tenta dar sugestões que possam facilitar a produção de textos de pesquisa colaborativa.- arregaçando as mangas / - narração realista /- narração processual /- narração reflexiva / - para não quebrar a rocha (coloco esse subcapítulos juntos, não por serem de menor importância, mas por serem de tamanho menor e altamente relacionados)

O primeiro ponto é sempre deixar claro qual a questão que está sendo trabalhada e colocar metas reais. Um bom exercício é começar fazendo relatórios menores, demonstrar ideias e explicações organizadas. A estrutura de texto da pesquisa colaborativa é a mesma dos demais relatórios de pesquisa. O texto deve sempre procurar facilitar a compreensão do que pretende-se explicar.

Uma sugestão interessante é descansar por um período do texto, lendo outras coisas, conversando com outras pessoas e submetendo o texto para outros lerem (pelo menos três!).

Escrever não é fácil, mas pode ser treinado; envolve exercício gradativo e permanente para que os limites sejam superados. A imersão em processos discursivos é o que conduz a um bom texto e uma comunicação eficaz, afinal é o único meio pelo qual se torna acessível ao leitor a observação e teorização sobre o tema escolhido. Pode acontecer de três maneiras: 1) narração realista (pesquisador menos visível e mais cientifico com uma narração bem objetiva e formalizada; é o mais comum); 2) narração processual (usa-se a primeira pessoa, envolve o falar de si e de emoções, com o pesquisador assumindo pressupostos; o mais comum é a forma de diário de campo); 3) narração reflexiva (introduz uma reflexividade no texto acadêmico, explicitando de onde e para quem escreve, detalhando como constrói os dados, como analisa, quais as questões, refletindo sobre erros e acerto; não existe texto único e verdadeiro pois representa uma reconstrução histórica e social; as origens costumam ser as formas de trabalho citadas anteriormente). Escrever é difícil ... mas é possível com as escolhes certas.

"Passagem de consumidor (passivo dos escritos de outros) à situação de autor (ator) não é um processo fácil, mas é necessário" Bianchetti (2006)

terça-feira, 30 de abril de 2019

Hifopem - Contreras Cap1

"Debemos preocuparnos por trazer experiencias, en vez de doctrinas". (Hanna Arendt)
"La verdadera experiencia es así  experiência de la propria historicidade". (Gadamer))

PARTE1: pg 1 até 45

"La experiencia y la investigacion educativa", capitulo 1 escrito por José Contreras Domingo e Nuria Pérez de Lara Ferré, é discutido mais um pouco, na verdade é embasado, os principais conceitos da experiencia  da pratica. Contreras trabalha na mesma linha de experiência de LArrossa, porém esse ultimo por ser filósofo e não educador aborda o tema da experiência de forma mais genérica.

Na perspectiva histórico-cultural de Vygotsky, experiência e vivência são termos equivalentes da mesma coisa. Já na abordagem do Contreras, a vivência é diferente de experiência. Todos passam pela vivência de um evento, mas isso só terno uma experiência se causar transformação. Experimento também é diferente de experiência (pelo menos no portugues!)!

Vale sempre lembrar que a experiência começa quando se está atento na escuta.

Uma experiência, só pode ser considerada assim, se ela não te deixa indiferente: te incomoda, te afeta, te marca e deixa traços em você! (p. 24) Caso contrario é apenas conhecimento adquirido (vivência) e não experiência vivida! A experiência por definição deve envover sentimento (p.23)

A experiência tem haver com o inesperado .. .se apresenta de improviso, interrompendo o que era sabido e previsisvel! E é essa imprevisibilidade que te leva a pensar, verdadeiramente refletir sobre o vivido!

Segundo Contreras, a experiência educativa sempre é um processo negativo, uma vez que supoem confrontar o conhecimento previo ou o conhecimento que não existia. Tira a pessoa da "zona de conforto" (p.24). A grande pergunta é: como manter esse sentimento de se abrir pelo novo na repetitividade e correria do cotidiano educativo?

A experiência está diretamente como cada um enxerga as situações vividas ... experiência e subjetividade são inseparáveis: cada um experimenta de um jeito! Para isso, precisamos sempre enxergar o outro como ele é e não como gostaríamos que ele fosse. E para experimentar esse "algo", é necessário se colcoar como receptor de novos conceito, uma verdadeira passividade, ao mesmo tempo que não é uma morosidade, mas uma passividade ativa, uma vez que só quem se coloca no caminho é que está apto a caminhar.

Se por um lado Contreras discute a experiência da prática, também aborda como é possivel passar da prática à experiência. Na discussão do nosso grupo de pesquisa, entendemos que só é possivel levar experiência à alguem se nós ja experimentamos antes, além de o que se quer favorecer, deve-se praticar também.

Gostei do termo "circulo virtuoso" p.33 entre prática e experiência. Bem melhor que "circulo vicioso" :D

PAra terminar essa primeira parte do capitulo, o autor coloca dois conceitos ainda: o da multidisciplinaridade da educação (ontologia -  psicologia, sociologia, antropologia, sociolinguistica) e o do sentido (qualquer execução mecanica, pode ser considerada sem sentido!)

PARTE2: 45 até 85

Nessa segunda parte o autor continua o seu discurso comentando sobre a subjetivade do mundo da educação, comentando que existem muito mais perguntas que respostas. Na educação não é possivel caminhar se não separarmos o "micro" que está relacionado com as experiências quanto com o "macro" que está vinculado com as estruturas, instituições e ideologias e normalmente é a parte mais focada nas pesquisas academicas.

Um termo interessante que Contreras utiliza é sobre o "encarnar" a experiência, afirmando que a pedagogia só existe se for encarnada. Nesse momento ocorre a aprendizagem .. .quando mudamos nossa forma de ver!!!!

Contreras também gasta palavras identificando as diferenças entre "saber" e "conhecer". Fiz duas analogias para isso:
1) conhecer é uma lagoa, enquanto o saber é um rio quemolda por onde passa, mas também é moldado e influenciado pelas circunstancias ao redor
2) quando se  admira um prato gastronomico que alguem cozinha e pede-se a receita, obtem-se o conhecimento. Mas para que fique identico, é necessário o saber ....

Novamente ele retoma as implicações da experiências vinculadas com o EU e com o OUTRO e a necessidade da escuta. Salientando o obvio ... ainda que tenhamos controle sobre o que falamos, não temos o controle do que o outro escuta e muito menos do que ele fará com aquilo (Hifopem, 2019). O conhecimento científico se transmite ... o saber escapa da captura!

Outro ponto interessante que o autor critica enfaticamente é o que ele chama de "economia do conhecimento" - Ozga 2008 e da mercantilização de produções academicas que ou nem chegam para quem interessa ou se chegam nãoa tingem a prática das escolas, além da "mafia das publicações" (p.62) que também faz questão de expor diferenças entra homens (razão + conhecimento) e mulheres (experiência + emoção) e também diferentes niveis academicos.

O texto tem muito mais do que o que foi colocado aqui, mas termino com um trecho que gostei muito: "Não há um método no caminho da experiência (o caminho se faz ao caminhar!) , ela deve ser o encontro do passado com o futuro, do possível com o impossível, da realidade com o desejo e do padecer com o aproveitar." (p.54)



domingo, 28 de abril de 2019

29/04 - Abordagem Historico-Cultural (FREITAS e GOES)

FREITAS, Maria Teresa de Assunção. A pesquisa de abordagem histórico cultural: um espaço educativo de constituição de sujeitos. Revista Teias. UERJ. Vol. 10, n.19, 2009, p.1-12.

GOES, Maria Cecilia Rafael de. A abordagem microgenética na matriz histórico-cultural: Uma perspectiva para o estudo da constituição da subjetividade. Caderno cEdes, ano XX, n.50, Abril/00, p.9-25.

Que abordagem complicada!!!!! Não sei se é a novidade, mas a abordagem historico-cultural baseada em Vygotsky e Bakhtin, achei que não tem nada de trivial! Não sei se pela novidade desses personagens na minha vida, pela discussão tão aprofundada de uma palavra unica - "intervenção" - ou se pelos termos elaborados que a microgenética utiliza (Dinâmico-causal, ontogênese, dialógico-discursivo, semiótico-índiciário, associacionismo x elementarismo, microanalítico, naturalista-biologizante, intersubjetivo x intra-subjetivo, temas de enunciação, paradigma indiciário, consições macrossociais, valor heurístico), só sei que me senti espremida ao tentar decifrar e extrair o conhecimento dele.

Algumas considerações sobre os "companheiros" dessa aula:

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Lev Semyonovich Vygotsky, foi um psicólogo, proponente da Psicologia cultural-histórica. Pensador importante em sua área e época, foi pioneiro no conceito de que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e condições de vida.


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O pesquisador, pensador, filósofo e teórico Mikhail Mikhailovich Bakhtin (1895-1975) foi uma das figuras mais importantes para a história e evolução da linguagem humana, e suas pesquisas norteiam até hoje estudos e teorias pelo mundo. Para ele, toda e qualquer análise linguística deveria tratar também de outros fatores, como a relação do emissor com o receptor, o contexto social, histórico, cultural, ideológico e de fala, por exemplo. Segundo ele, se não fosse dessa forma, não haveria compreensão.

FREITAS coordena o grupo LIC (Linguagem Interação e Conhecimento) na Universidade Federal de Juiz de Fora, que tem como fundamento teórico-metodológico a abordagem histórico-cultural. Nesse texto, baseado nos conceitos de descrição e explicação de Vygotsky e Bakhtin, ela aborda a pesquisa quantitativa nas ciências humanas a partir da perspectiva histórico-cultural, considerando-a um espaço educativo onde ocorrem diferentes processos de comunicação. A discussão do grupo, no momento, acontecia em torno do conceito “pesquisa-intervenção”, no entendimento de que esse tipo de pesquisa não apenas descreve uma realidade, mas também explica-a e consequentemente intervêm na realidade. Algumas questões que ela coloca:

1) Qual o significado da palavra intervenção?

2) Em que consiste a intervenção na pesquisa histórico-cultural?

3) Quais os sentidos construídos pelo grupo para este conceito de pesquisa intervenção? 

4) Como essa intervenção se apresenta nas pesquisas realizadas.

São essas perguntas que ela tenta responder nesse texto, começando pelo significado de intervenção no dicionário, que resumidamente apresenta-se como: ato de intervir, interferência, significado considerado por ela contaminado por valores de uma determinada época. No final, ela conclui que é difícil quebrar a tradição da palavra “intervenção” mas que “pesquisa dialógica” representaria um bom direcionamento ...

- Em que consiste a INTERVENÇÃO na pesquisa histórico-cultural?

Vygotsky apud Freitas (2009), afirma-se que o comportamento humano difere qualitativamente do comportamento animal e por isso a pesquisa de abordagem naturalística deve ser evitada. Vygotsky também considera que o homem interfe na natureza, e isso transforma a si mesmo. Além disso, considera necessário que o homem reconstrua a historia de sua origem e desenvolvimento, considerando a descrição (exterior, aparência) e a explicação (interior, sentimentos). Com essas metas, é possível perceber que a pesquisa procura possíveis relações do individual com o social e que o pesquisador provoca alterações nos pesquisados, e isso é a “intervenção” ainda que ele não use essa palavra.

Já Bakhtin apud Freitas (2009) “o objeto das ciências humanas é o ser expressivo e falante”, caracterizando a diferença das ciências extas par as humanas em que aquela contempla o objeto e fala sobre ele mas não com ele. Ou seja, pesquisador e pesquisado interagem enquanto se dá a pesquisa, partindo-se inicialmente a pesquisa da identificação com o outro e permitindo a possibilidade do pesquisador se ressignificar durante o processo e aparecendo tanto quanto o pesquisado em seu texto final. Ou seja, um encontro dialógico e transformador entre dois sujeitos.

Apesar de Vygotsky enfatizar a descrição completada pela explicação e Bakhtin afirmar que o homem não pode ser explicado e sim compreendido, o elemento comum entre ambos é a compreensão em profundidade, a partir de diálogos que gerem transformação.


Já na proposta etnográfica de GOES que deriva da antropologia cultural e implica na descrição de cenários e das regras de funcionamento deum grupo cultural, está a microetnografia que busca um interesse crescente no “como acontece” e não “o que acontece”. No entanto, esse texto aborda a microgenética, uma metodologia que examina o funcionamento dialógico-discursivo, destacando ainda a vinculação com as proposições do paradigma semiótico-indiciário. Esse método ainda procura detalhes no relato minuncioso de acontecimentos e o recorte de episódios interativos, associado normalmenteao uso de videogravação e a transcrição. O objetivo do texto além de definir esse tipo de pesquisa é ressaltar o estudo de questões referentes à subjetivação em relação ao funcionamento intersubjetivo. 

A microetnografia possui similaridade na busca por interações e cenários socioculturais assim como o estabelecimento de relações entre microeventos e condições macrossociais. A diferença fica para a parte “genética” que utiliza as proposições de Vygotsky sobre o funcionamento humano e a análise minunciosa do processo e que por sua vez baseou-se no método clinico de Piaget ao buscar nas sessões ou entrevistas um exame critico e minuncioso do que era falado. A diferença entre os dois está no fato de Vygotsky entender que os processos humanos tem relação com o próximo e com a cultura, ao contrario de Piaget que buscava respostas espontâneas de crianças, não influenciadas por adultos (como se isso fosse possível!).Piaget também usou analise j

- As contribuições metodológicas de Vygotsky e a análise microgenética

“O método é ao mesmo tempo , pré-requisito e produto, instrumento e o resultado do estudo” segundo Vygotsky apud Goes (2000), baseados nos conceitos de que a constituição do funcionamento humano é socialmente medida e que a gênese das funções psicológicas está nas relações sociais. 

As obras de Vygotsky sempre discutem a especificidade das declarações vinculada à uma visão sociogenética, histórico-cultural e semiótica do ser humano, entendendo que privilegiar a história não é apenas estudar o passado, mas sim as transformações que englobam o presente além da preposição de uma visão ampla, ainda que minunciosa, da investigação histórico-cultural. 

- Contribuições atuais para a discussão da análise microgenética

De acordo com Wetsch apud Goes (2000) baseado em Vygotsky define a analise microgenetica como o acompanhamento minuncioso e detalhe das ações dos sujeitos e relações interpessoais dentro de um espaço de tempo, consideração a transição do intersubjetivo para o intra-subjetivo. (pistas de internalização). O autor ainda considera um exemplo de díade máe-criança, suas falas e os indicadores de internalização de ações pela criança, considerando episódios curtos. Goes considera que esse tipo de análise não é “micro” por se referir à um curto tempo e sim por ser orientada nas minucias indiciai, apesar de Welsch ser um seguidor de Vygotsky na questão semiótica vinculada com os temas de enunciação e da dialogia.

Uma outra vertente dessa metodologia tem sido os processos cognitivos construídos das interações e feito de três (mas me parece 4 pelo texto!) maneiras: 1) cognitivista, 2) interacionista e 3) jogo conversacional e 4) discursiva ou enunciativa.

O texto apresenta dentro da vertente enunciativo-discursivo que inclusive é a ênfase do trabalho devido ao caráter promissor e sua congruência com a pesquisa histórico-cultural um boa revisão bibliográfica citando alguns autores como: Orlandi (1987), Pêcheux (1988), Bakhtin (1986), Smolka (1997), Rojo (1997) todos com análise do discurso. Outros como Carvalho (1997), Rocha (1997), De Carlo (1999 e Goes e Souza (1998) no processo de formação de sujeitos nas relações sociais. Fontana (1996) mostra um estudo de campo examinando detalhadamente o fluxo das enunciações nos dialogo professor-aluno e aluno-aluno (intersubjetivo).

- O paradigma indiciário

Assim como um médico analisa os sintomas na procura de um diagnóstico (semiologia médica), o pesquisador procura indícios, fundamentado na semiótica, como um caçador analisando as pistas de uma presa, sendo Ginzburg (1989) um dos autores mais conhecidos. 

Ginzburg apud Goes (2000) critica o modelo da ciência moderna quanto 1) crença na transparência da realidade, 2) separação entre sujeito e objeto e 3) conhecimento sistemático com regras formais. Ele contrapõe isso à riqueza do conhecimento humano em três aspectos: 1) a valorização do singular, 2) rigor metodológico, porém flexível e 3) não abandono da totalidade, apesar da singularidade.

- As perspectivas enunciativo-discursivo e semiótico-indiciária da microgenese

Baseado em Ginzburg, Goes (2000) destaca três pontos vinculados à análise microgenética: 1) atenção à minucias indiciais, 2) estudo de situações singulares e 3) busca de inter-relação da interpretação indiciária com condições macrossociais, cabendo ao pesquisador decifrar o componente narrativo do negligenciável.


quarta-feira, 24 de abril de 2019

22/04 Revisão Sistemática

A "revisão sistemática", assunto desse artigo do  GEPFPM (Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de Professores de MAtemática) acontece quando se pesquisa TUDO sobre um determinado assunto (fazendo-se inclusive uma analise quantitativa inicialmente!). Já a "revisão bibliográfica" se detem a pesquisar apenas assuntos diretamente vinculados com a pesquisa desejada, descartando-se outros tópicos e formas de pesquisa.

A revisão sistemática pode acontecer de 4 formas (como a "pirâmide" a seguir, a qual apresenta o ordem de especificidade da pesquisa), de acordo com GEPFPM. Grupo de Estudo e Pesquisa sobre Formação de Professores de Matemática e as revisões sistemáticas. In: OLIVEIRA, A.M.P.; ORTIGÃO, M. I. R. (Org.). Abordagens teóricas e metodológicas nas pesquisas em educação matemática. Livro Eletrônico. Brasília: SBEM, 2018. p. 234-254. (Coleção SBEM 13):

Fonte: eu

Esse capitulo 11 do ebook sobre pesquisa em educação matemática procura apresentar o estado da arte dessa área a partir da visão, pesquisa e evolução do GEPFPM, um grupo que inicialmente era da Unicamp, mas que atualmente é independente e interinstitucional e se propõe a investigar questionamentos relacionados com os processos formativos e politicas publicas, focos emergentes e outros. 

Ainda na introdução, o texto apresenta o caminho seguido pelo grupo em suas pesquisas, desde o I SIPEM (I Seminário Internacional de Pesquisa em Educação Matemática), passando pela criação do “Forum de Discussão de Parâmetros Balizadores da Pesquisa em Educação Matemática no brasil” e terminando em uma pesquisa sobre “Mapeamento e Estado da Arte da Pesquisa Brasileira sobre o Professor que Ensina Matemática”, todas elas no formato de revisão sistemática (diferente da revisão bibliográfica). Esse tipo de pesquisa pode ser : 1) mapeamento de pesquisa, 2) estado da arte da pesquisa ou estado do conhecimento, 3) metanálise e 4) metassintese, que também são os subtópicos desse capitulo. 

O GEPFPM não trabalha apenas com revisão sistemática de pesquisa, mas usou todo o conhecimento adquirido para divulgar essa área que é pouco conhecida no Brasil. Os dois primeiros tipos são pesquisas mais abrangentes com vários trabalhos. Os outros dois não podem ser muito numerosos por requerem uma análise mais detalhada. 

- Mapeamento de Pesquisas

Considerado o formato inicial para outros tipos de pesquisa, o mapeamento de pesquisas também pode ser uma análise em si mesmo, uma vez que mapeia os subfocos da pesquisa com seus variados autores e de acordo com Fiorentini apud GEPFPM (2018): 

“[...] processo sistemático de levantamento e descrição de informações acerca das pesquisas produzidas sobre um campo específico de estudo, abrangendo um determinado espaço (lugar) e período de tempo. Essas informações dizem respeito aos aspectos físicos dessa produção (descrevendo onde, quando e quantos estudos foram produzidos ao longo do período e quem foram os autores e participantes dessa produção), bem como aos seus aspectos teórico-metodológicos e temáticos. 

(FIORENTINI apud GEPFPM, 2018, p.239). 

Uma diferença do mapeamento para o estado do conhecimento é a priorização dos aspectos que descrevem um campo de pesquisa especifico, revelando tendências teóricas e metodológicas, em detrimento ao resultado da pesquisa nesse campo (que pode ser mapeado também!). Além disso, esse formato de pesquisa é alicerce para atividades de pesquisa de diversas naturezas como outros mapeamentos, estado da arte, trabalhos de conclusão de curso, teses e dissertações. 

- Estado da arte da pesquisa ou Estado do conhecimento 

Se há a necessidade de uma sistematização de conhecimento produzido em um determinado tema de pesquisa, durante um determinado tempo, essa forma de pesquisa qualitativa de caráter histórico-bibliográfico deve ser utilizada, além de permitir que a partir do conhecimento do que já existe pesquisado, possa-se buscar o que ainda não foi feito. Alguns pesquisadores diferenciam estado da arte e do conhecimento, mas o GEPFPM considera os termos como sinônimos. 

- Metanálise de pesquisas 

A metanálise inicia de forma quantitativa na pesquisa estatística da saúde e agricultura, entra na educação em 1970 e surge de forma qualitativa no cruzamento e comparação de trabalhos como revisão sistemática, sendo o GEPFPM pioneiro em metanálise de formação e professores. As varias pesquisas do GEPFPM já abordaram praticas catalisadoras do desenvolvimento do professor de matemática, fragilidade dos procedimentos metodológicos em pesquisa de formação docente, formação inicial e profissionalização docente, incluindo um livro sobre experiência e prática de professores escolares de matemática, avaliando a própria prática. 

- Mestassintese de pesquisas 

Como uma “evolução” da metanalise, surge então a metassíntese de pesquisa que consiste na produção de pequenas sinteses interpretativas e integradoras (evidências qualitativas) extraídas de um pesquisa primária (dissertações e teses, com interesses específicos). O objetivo principal e adquirir um maior entendimento sobre um fenômeno investigado, obtendo resultados além da pesquisa primária, e marcada pelos viés do pesquisador de segunda ordem. Algumas considerações sobre esse tipo de pesquisa é que ela necessita de mais estudos e ensaios investigativos, além da impossibilidade de fazer com muitos trabalhos. 

O trabalho inicial do grupo, citado como exemplo, inicia a análise a partir de um levantamento de 15 teses de professores que ensinavam matemática em escola básica e fizeram parte de grupos de pesquisa. Após investigação dessas teses, escolheu-se apenas duas dissertações de mestrado com a problemática da exclusão de alunos com dificuldade matemática e busca de alternativas para enfrentar o problema. A seguir foi feita uma interpretação e descrição dos indícios de aprendizagem profissional das professoras pesquisadoras, mediante análise/interpretação do conteúdo dos textos dissertativos e uma meta(síntese) dessas interpretações. 

- Discussão final e conclusões 
 O GEPFPM tem colaborado para a pesquisa com seus estudos e revisões sistemáticas, especialmente no que diz respeito à formação e desenvolvimento profissional, inicialmente apenas com professores de matemática (Até 2002) e depois ampliando para outros professores que usam a matemática também. Além disso, foi possível perceber o aumento no numero de dissertações / teses nessa área a partir do século XXI, que apesar de aumentarem em número e em riqueza de conhecimento por outro lado tem requerido estudos da sistematização da problemática estudada.

terça-feira, 23 de abril de 2019

Aula 22/04 Grupos Focais

A cada método de pesquisa qualitativa que conheço, quero usar todos!!!! :D Me parece que cada um tem a sua "graça" e seus resultados!

Nessa aula, inicialmente discutiu-se os "GRUPOS FOCAIS", em compração com os "grupos de discussão" de uns dias atrás e que pode ser acompanhado aqui.

O material base para esse assunto foi um livreto:
GATTI, Bernadete A. Grupo Focal napesquisa em ciências sociais e humanas. Brasilia, DF: Liber Livro, 2005.
Imagem relacionada
Como os grupos de discussão foi-nos apresentado primeiro, quase toda a problemática foi compara-los! Sendo assim, ao invés de apresentar o fichamento (na verdade, eu não fiz ... final de semana de feriado me atrapalhou um pouco!) apresento uma tabela comparando os dois métodos:


Tabela1: comparação entre grupo focal e grupo de discussão

Grupo FocalGrupo de Discussão
Participantes6 a 12 participantes voluntários6 a 12 participantes voluntários
Duração1 a 2 horas1 a 2 horas
ModeradorDeve manter o grupo dentro do foco da discussão; pode ser ou não o pesquisador.A moderação é quase inexistente, mas deve ser feita pelo proprio pesquisador se necessário um estimulo para continuar assuntos
PesquisadorDetermina o topico a ser discutidoDetermina o tópico e tem profundo conhecimento das caracteristicas do grupo
Assuntoo que cada um do grupo pensa (sentimento) sobre o assunto; sem preparação previa.qual a experiencia que o grupo tem sobre o assunto
Relatorpode ternão tem
Elemento Disparadorpergunta chave usada para iniciar o debateperguntas que gerem narrativas
quando usarquando se quer verificar o grau de consenso sobre determinado assuntopor ser similar às entrevistas narrativas, pode-se entrevistar várias pessoas ao mesmo tempo e economizar tempo
outros metodosusado depois para apurar o entendimentousando antes para escolher o grupo
não se aplicaquando se busca consenso, finalidade educativa ou busca de informações delicadassem antes conhecer perfil das pessoas participantes (normalmente através de questionário ou entrevista)
tipo de grupohomogeneo (sexo, idade, classe)homogeneo (assunto em comum)
analise de dados1) transcrição 2) ver / ouvir repetidas vezes 3)classificação ou codificação do material 4) a analise qualitativa pode ser complementada pela quantitativa1) transcrição 2) ver / ouvir repetidas vezes 3) interpretação formulada 4) interpretação refletida
numero de encontros1vários
resultadosoma de opiniõesproduto de interações coletivas
Fonte: eu :)

PFP - Conhecimento para-na-da prática